A campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã pode ganhar uma dimensão financeira muito maior do que a prevista no início. Segundo informações que circulam em Washington, o Pentágono trabalha com a possibilidade de pedir ao Congresso cerca de US$ 200 bilhões para sustentar a operação, valor que ainda passaria pela avaliação da Casa Branca antes de seguir formalmente para os parlamentares.
O número chama atenção porque representa algo próximo de um quarto de todo o orçamento anual de defesa dos Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que “gastar dinheiro para eliminar ameaças” faz parte da guerra e admitiu que esse montante ainda pode mudar.
Mais do que o valor em si, o que preocupa em Washington é o que ele sugere sobre a duração do conflito. Quando a operação começou, a expectativa pública transmitida por autoridades era de uma ação curta. Agora, uma projeção dessa magnitude indica que o cenário pode ser bem mais prolongado, exigindo um esforço militar e logístico muito superior ao inicialmente imaginado.
A comparação com outros teatros ajuda a medir o peso desse possível gasto. Desde 2022, os Estados Unidos destinaram cerca de US$ 188 bilhões em apoio militar à Ucrânia, segundo estimativa citada na reportagem. Ou seja, a verba agora discutida para a guerra contra o Irã superaria o total investido em mais de quatro anos de apoio ao esforço ucraniano.
Outro paralelo relevante é a Guerra do Iraque. Os custos diretos daquele conflito chegaram a US$ 815 bilhões ao longo de 13 anos, de acordo com cálculos do Congressional Research Service mencionados no texto. Isso significa que o valor hoje cogitado para o Irã equivaleria a cerca de um quarto de toda a conta do Iraque, mas concentrado em um intervalo muito menor.
Esse debate também ganhou força porque, historicamente, guerras longas dos Estados Unidos costumam ter seus custos aprovados em etapas, por ciclos sucessivos de financiamento. Um pedido tão elevado logo de saída levanta dúvidas sobre o planejamento real da campanha e sobre quanto tempo Washington acredita que precisará manter a pressão militar no teatro iraniano.
No Congresso, a discussão tende a ir além da estratégia militar. Um pacote desse tamanho inevitavelmente reacende o debate sobre prioridades nacionais, sobretudo em um momento em que os EUA enfrentam pressões internas em áreas como saúde, assistência social e controle do déficit. No campo político, a eventual aprovação desse montante pode se tornar um dos pontos centrais da disputa entre governo e oposição nas próximas semanas.