O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou que o país precisa debater com realismo todos os temas ligados à sua segurança, incluindo a questão nuclear.
A declaração reacende uma discussão sensível no Japão, único país que já sofreu ataques com armas nucleares. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Tóquio mantém os chamados três princípios não nucleares, que estabelecem que o país não deve possuir, produzir ou permitir a entrada de armas nucleares em seu território.
Koizumi disse que o Japão deve manter sua trajetória como nação pacífica, mas afirmou que proteger a vida e a segurança da população exige discutir todas as opções necessárias. Segundo ele, esse debate não deve ser bloqueado apenas por envolver temas considerados politicamente difíceis.
A fala ocorre em um momento de forte aumento da tensão no Indo-Pacífico. O Japão vê com preocupação a expansão militar da China, incluindo seu arsenal nuclear e seus mísseis, além dos testes constantes de armas da Coreia do Norte. Em julho, Koizumi afirmou que a ampliação rápida das capacidades nucleares e de mísseis chinesas, sem transparência suficiente, é uma preocupação séria para o Japão e para a comunidade internacional.
Apesar disso, o governo japonês ainda evita defender abertamente uma mudança formal em sua política nuclear. A discussão mais provável, neste momento, envolve a interpretação do princípio que impede a entrada de armas nucleares no país, especialmente em situações extremas de crise.
O tema deve gerar forte resistência interna, principalmente por causa da memória histórica de Hiroshima e Nagasaki. Ainda assim, a declaração de Koizumi mostra que o debate sobre dissuasão nuclear deixou de ser um assunto marginal no Japão e passou a fazer parte da discussão central sobre a segurança do país.